top of page

Postagens por data:

  • Ivo Fernando da Costa

Escolástica e pensamento contemporâneo

É possível um existencialismo realista?


Uma das bases filosóficas do mundo contemporâneo e de suas mazelas ideológicas é o existencialismo materialista.


Podemos dizer que o existencialismo é uma filosofia derivada do niilismo sobre o qual já escrevi algo em um post sobre as consequências do niilismo.


Se o niilismo nega a existência de uma finalidade objetiva que dá sentido ao mundo e a vida humana, o existencialismo nega mais explicitamente o fundamento desta finalidade que é a essência humana.


Se não há uma essência, tampouco haverá uma guia ou uma pauta de nosso atuar ético e racional. Logo, o homem não se define por sua razão, mas sim por uma vontade libre e incondicionada com a qual constrói seu ser.


Adaptando um exemplo de Aristóteles, uma semente de feijão tem uma essência, tal essência inclui a finalidade que a leva a se desenvolver, tornar-se um pé de feijão e multiplicar-se produzindo mais feijão. Se não há um fim que dê sentido à vida humana é porque não existe uma essência humana a qual devemos nos conformar e realizar. Tudo se reduz a uma vontade livre para se autodeterminar arbitrariamente.


Daí que escutemos com certa frequência frases do tipo, “o homem não é, o homem se faz”, “o homem não é nada além do que faz de si mesmo” (Jean- Paul Sartre), “Não se nasce mulher, torna-se mulher” (Simone de Beauvoir) ou o bordão mais genérico “você pode ser tudo o que quiser”


Más é possível um existencialismo realista? Há aspectos do existencialismo que podem ser aproveitados?

O ser humano, de fato, tem uma vontade livre e não nascemos prontos; temos que ir construindo nosso ser com nossas decisões, mas isso não significa ou implica dizer que não exista uma essência humana que justifica a igualdade, os direitos e deveres, etc.


Um exemplo de existencialismo realista é o personalismo, corrente filosófica muito apreciada por São João Paulo II que era também tomista.


Em princípio uma coisa não contradiz a outra: afirmar que temos uma essência real ou natureza humana não significa cair em um determinismo que sufoca a liberdade, a não ser que se tenha um entendimento racionalista de essência como o de Leibniz.


Mas não é isso que Platão, Aristóteles e os escolásticos pensavam da essência. Dizer que possuímos uma mesma essência não significa dizer que está tudo absolutamente dado no ser humano. A própria essência pode incluir aspectos que serão realizados somente mediante a ação livre.


Com a repetição de atos livres formamos hábitos que se incorporam ao nosso ser. É o que na escolástica muitas vezes se denomina “segunda natureza”.


A partir do que é dado pela primeira natureza (essência) construímos com ações livres nosso próprio ser particular (segunda natureza) sempre dentro dos calces daquilo que nos define como seres humanos.

Comments


Encontre outras postagens sobre:

bottom of page