• Ivo Fernando da Costa

Um pequeno erro no princípio acaba por tornar-se grande no fim


Com esta frase Santo Tomás abre seu famoso opúsculo “De ente et essentia”, escrito entre os anos de 1254 e 1255, durante o primeiro período como professor na Universidade de Paris.


É uma obra de juventude e um dos textos filosóficos mais densos do Aquinate. Não obstante, é também um dos mais lidos, traduzidos e estudados, pois nele se condensam as bases do seu pensamento metafísico.


Contudo, o mais importante é que esta joia da filosofia perene é fruto não do interesse pessoal, mas da caridade humilde e desinteressada. A obra está dedicada "ad fratres et socios", ou seja, aos seus irmãos religiosos e colegas estudantes.


Alguns dos quais também estavam em Paris para estudar teologia e foram surpreendidos pela reelaboração da metafísica aristotélica em chave cristã que seu professor estava realizando.


Diante das dificuldades que o pensamento de Aristóteles impunha, alguns pediram que Tomás redigisse um pequeno texto com conceitos chave para servir de subsídio em suas lições.


O Santo não se contentou com uma pequena lista de termos filosóficos e nos estregou este pequeno tratado de metafísica.


O “De ente et essentia” também responde a uma situação relativa ao contexto histórico da Universidade de Paris. Naquele tempo, de fato, os textos de Aristóteles sobre as ciências naturais acabavam de ser incluídos na base do curso de filosofia após um período de proibição por suspeitas de incompatibilidade com a fé cristã.


Este evento provocou um grande interesse pelo filósofo grego, mas era necessário esclarecer o sentido de seu pensamento. Pois pequenos erros filosóficos poderiam provocar grandes erros no futuro.


Uma lição atualíssima nestes nossos “tempos modernos”!...


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