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  • Ivo Fernando da Costa

7 lições de Santo Tomás para a vida intelectual


Hoje, 28/01, é o dia dicado à memória de Santo Tomás de Aquino.


Nesse sentido, a reflexão e meditação sobre a sua grandeza serve como luz e inspiração para nossa própria vida espiritual e de estudos. Destaco alguns pontos:


1) Harmonia entre fé e razão: Tomás se considerava a si mesmo não como um filósofo, mas como um teólogo. Isso, no entanto, não significava um fideísmo. Encontramos em suas obras, mesmo as teológicas, uma vasta riqueza filosófica evocada como instrumento e fundamento para a articulação das verdades teológicas. Foi, portanto, um autor que valorizou enormemente a defesa da verdade pela qual no elevamos a Deus com as asas da fé e da razão.


2) Honestidade intelectual, que o conduz à busca sincera da verdade onde quer que ela esteja. “Toda a verdade, quem quer a diga, vem do Espírito Santo”. Por isso, o pensamento do Aquinate possui a característica de ser integrador, tentando captar tudo que possa haver de verdadeiro, bom e belo, seja em filósofos pagãos, judeus ou árabes. Um exemplo que nos ajuda evitar o fenômeno contemporâneo das tribos e das bolhas virtuais. Busquemos também em nossa vida de estudos fazer um esforço de compreender e extrair o que possa haver de verdade em nossos interlocutores, inclusive com respeito àqueles que inicialmente possamos não concordar.


3) Vitalidade: a característica descrita anteriormente é uma das causas da longevidade do tomismo, uma das poucas correntes filosóficas que continua crescente até hoje. Seu interesse não ficou reduzido à curiosidade dos historiadores. Sua filosofia é viva, pois é capaz de guiar a mente de pessoas de todas as idades em direção à verdade.


4) Equilíbrio: Tomás nos ensina a evitar os extremos e simplificações exageradas. Em sua análise dos problemas filosóficos e teológicos, visa sempre a posição mais equilibrada, isto é, que integre os diversos pontos de uma questão. No tomismo, não temos as dicotomias da filosofia moderna entre empirismo ou racionalismo; realismo ou idealismo; liberdade ou determinismo; conhecimento intuitivo ou discursivo...


5) Valorização do sentido comum: no fundo a filosofia de tomista tenta explicar de modo inteligível o que já está dado no sentido comum. Nada lhe mais alheio que negar o óbvio como parece ser a tendência da filosofia moderna e contemporânea. Os sentidos não nos enganam; a razão é confiável; podemos conhecer a verdade; existe um bem e uma beleza objetiva, etc.


6) Sentido prático: uma importante parte daquilo que é o sentido comum é a sabedoria prática. Tomás é um pensador que não fica somente na esfera do pensamento abstrato, mas desce também às consequências práticas, ou seja, a conformação de nossa vida e de nosso atuar com a verdade. Em suas reflexões sobre a ética é a política encontramos luz e guia para nossa vida atual: o valor da amizade, o bem comum, as virtudes, etc.


7) Humildade intelectual: um dos perigos da vida estudos é a soberba intelectual em que a pessoa se entroniza numa torre de marfim considerando-se superior, mais inteligente e sábia que as demais. A vida de Santo Tomás é um exemplo de humildade. Toda sua obra foi um ato de serviço ao próximo. Nada fez para si. Aconselhava Papas e reis, mas também um humilde irmão que lhe pedia conselhos para os estudos. Não só o contato com a sua vida, mas também com sua obra nos torna mais humildes, seu estilo conciso e profundo nos mostra constantemente que aquilo que pensamos saber não é mais que a ponta do iceberg de nossas questões fundamentais.

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