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  • Ivo Fernando da Costa

Hoje devemos concordar com Nietzsche: Deus está morto.


Talvez não exista algo mais diametralmente oposto ao tomismo, e à filosofia clássica em geral, que o pensamento de Nietzsche.

 

Em Santo Tomás temos uma filosofia do ser mediante a qual conhecemos a verdade sobre Deus, o Princípio Transcendente e criador de um cosmo ordenado, e sobre o homem que tem a Deus mesmo como seu fim último.

 

Em Nietzsche, temos uma filosofia da imanência. Não há uma absoluto, nem nos Céus nem na terra. Por isso o mundo se apresenta como algo absurdo e caótico de fronte ao qual só nos resta conjeturar e costurar interpretações subjetivas.

 

Nesse cenário, alça-se soberana a “Vontade de Poder”, consequência necessária da negação da transcendência e da inteligibilidade do real. Sem a verdade como guia de nossa vontade, o homem se sente confiante para ocupar o lugar de Deus autoproclamando-se o “Übermensch”, isto é o Super-homem.

 

Para o pensador alemão, a exaltação do Super-homem só foi possível graças a “Morte de Deus”:

 

“Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste ato não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele?”

 

A “Morte de Deus” é uma alegoria ou símbolo que proclama o declínio das bases transcendentes da civilização ocidental. Deus não mais serve como origem da inteligibilidade do real. Por conseguinte, o homem torna-se incapaz de  acreditar em uma ordem metafísica para o mundo no qual ele está inserido, levando-o a rejeitar qualquer sistema de valores pessoais e coletivos.

 

Contudo, nós hoje podemos – e devemos – concordar com Nietzsche: Deus está morto na cruz e somos nós mesmos, com nossos pecados, os seus algozes. Mais ainda, devemos ser mais radicais que o “filósofo do martelo”: Deus literalmente morreu. Não é um símbolo, é uma realidade!

 

Contudo, para nós, Cristo não permanece morto. Em meio ao caos de um mundo espiritualmente morto pelo niilismo, a cruz se reconfigura como um sinal que nos enche de sentido e de esperança.

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