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  • Ivo Fernando da Costa

Os limites (e perigos) da ciência moderna


Desde a revolução que foi a "Física Newtoniana", a ciência moderna ambiciona, como ideal de cientificidade, os aspectos quantificáveis e matematizáveis da realidade.

 

Não há problema em desenvolver um corpo de conhecimento pautado na dimensão material da realidade. Afinal de contas, as coisas materiais incluem a matéria em sua essência.

 

O grande problema da empreitada científica da modernidade consiste no esquecimento de que a realidade não se reduz ao material. Isso desagua em uma visão de mundo materialista que nos conduz à negação de que as coisas possuem uma finalidade que lhes confere sentido e inteligibilidade.

 

Nesse contexto, o máximo que podemos fazer é a descrição matemática de regularidades da natureza. Não é de se admirar, então, que o mundo moderno esteja profundamente imerso no niilismo e no subjetivismo.

 

Santo Tomás e os escolásticos viam a matéria como uma parte essencial do mundo físico. Contudo, eles também eram bem conscientes de que o real não era apenas matéria.

 

Com base nisso, desenvolveram uma refinada teoria dos graus de abstração.

 

Temos um nível de abstração que poderíamos chamar de "físico". Aqui prescindimos das notas particulares de nossa experiência do mundo para nos fixar em seus traços comuns. Por exemplo, vemos muitos gatos, de várias cores e tamanhos, etc. Ao buscar um conhecimento científico sobre os gatos, deixamos de lado os aspectos que descrevem este ou aquele gato individual para nos concentrar em suas características essenciais.

 

Depois, temos um nível de abstração "matemático". Nele, prestamos atenção somente nos aspectos quantitativos do gato. Pelo fato de a quantidade ser divisível, deste grau de abstração surge o conceito de número e, do número, a matemática.

 

Por fim, temos o grau de abstração metafísico, em que nos detemos sobre o ser do gato: os gatos existem? Sua existência é necessária ou não? Todas as coisas reais têm algo em comum? Quais as propriedades e causas de tudo quanto é real?


O que podemos concluir de tudo isso? Por um lado, devemos reconhecer a validez e a licitude do conhecimento científico como análise do mundo físico em seus apectos espíricos e quantitativos. Por outro lado, devemos ser conscientes de que a ciência é sempre um recorte da realidade, necessitando (hoje mais que nunca) da filosofia como guia para não cair em reducionismos empobrecendo nossa visão da realidade.



 

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